18 de set. de 2011

PAZ NO COTIDIANO

Meg Meurin da Silva

Pesquisa e reflexão sobre como Educação para Paz é tratada
na E.M.E.F Miguel Couto e na sociedade em que vivemos.

O que significa PAZ?

Conforme o dicionário Aurélio, paz é a situação de um povo que não esta em
guerra, cessação de hostilidade, sossego, silêncio e harmonia.
Minha escolha pela temática Educação pela Paz foi em primeiro lugar porque
este é o objetivo de todos os educadores, paz nas escolas e bom
relacionamento com alunos, pais e comunidade. A escola encontra grandes
dificuldades em manter esta tão desejada paz, tanto dentro como fora da sala
de aula. Por estes motivos foi que escolhi Educação pela Paz. Tendo em vista
as dificuldades enfrentadas pela escola e pela comunidade em geral, escolhi
como subtema para Educação para Paz os Valores Humanos e Morais.
Ficamos nos perguntando o tempo todo como conquistar esta tão desejada
paz, para que isto seja possível temos que primeiro doutrinar nossos
sentimentos mais animalizados, como raiva, inveja, ciúmes, medo e egoísmo.
A partir daí é que vamos conhecer sentimentos mais belos, através dos nossos
valores.
Os valores humanos são fundamentos morais e espirituais da consciência
humana, a maioria das aflições da humanidade esta na negação destes valores
como suporte e inspiração para o desenvolvimento integral do potencial
individual e consequentemente social. Os valores formam o caráter que irá se
refletir na vivencia social do indivíduo.
A muito se discute se a escola além de formar cidadões pensantes e críticos
também devem se responsabilizar pela educação moral.
Trabalhar valores tanto na escola quanto em casa desde cedo faz com que a
criança se torne um ser que visa as boas atitudes e os sentimentos de respeito
e amor ao próximo, valorizar o ser humano como ele é, não pelo que ele tem,
formar pessoas de atitude, dignos e justos.
A Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n° 9.394, de 20/12/96),
em seu título II, artigo 2°, afirma que “a educação, dever da família e do
Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade
humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
Portanto vê-se que há uma preocupação com a moral na educação e uma
intenção de integrá-la nas propostas que se apresentam a sociedade.
Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionas:terceiro e quarto ciclos
:apresentação dos temas transversais de 1998, “a escola, como instituição pela
qual espera-se que passem todos os membros da sociedade, coloca-se na
posição de ser um meio social na vida desses indivíduos. Também ela veicula
valores que podem convergir ou conflitar com os que circulam nos outros
meios sociais que os indivíduos frequentam ou que são expostos. Deve,
portanto, assumir explicitamente o compromisso de educar os seus alunos
dentro dos princípios democráticos”.
Ou seja a partir do momento que as pessoas veêm a escola como um lugar
onde se aprende valores, a viver em sociedade e a se socializar com diversas
culturas diferentes respeitando os espaços de cada um, a escola servira para o
que ela realmente quer em sua escência, cidadãos éticos e bem instruídos.
Analisando este tema e vendo a grande onda de conflitos que ocorrem na
maioria das vezes dentro das escolas e de lá se alastram pelas ruas, é que fui
saber como a minha escola parceira, que é localizada em um bairro que não é
considerado violento, trata este assunto, se tem projetos que estimulem a paz,
e como deve ser o procedimento caso haja ocorrência de violência dentro da
escola.
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Miguel Couto o tema Educação
para Paz é tratado de formas diferentes, o orientador Ademar faz com cada
turma um trabalho separado onde conversa e faz algumas dinâmicas para
manter a turma unida, também conversa em particular com aqueles alunos que
apresentam rebeldia ou problemas de qualquer natureza que estejam
prejudicando o bom desempenho da turma. Com estes alunos considerados
mais rebeldes a primeira providencia é chamar os pais para uma conversa com
a professora e com o orientador, se não resolver o aluno será advertido, e caso
ele ainda esteja muito agressivo é encaminhado para a assistência psicológica.
A escola adotou no ano de 2008 o Projeto 5S da Gerdau, onde motiva os
alunos a deixarem a escola limpa e organizada, diminuindo assim o
vandalismo. O 5S é uma metodologia criada no Japão utilizada para melhorar a
organização dos ambientes de trabalho. O 5S são Senso de Utilização, Senso
de Ordenação; Senso de Limpeza; Senso de Saúde; e Senso de
Autodisciplina.
Todos os ambientes da escola são divididos por categorias e elas recebem
uma tabela onde são anotados os pontos ganhos toda vez que algum
coordenador vem avaliar como anda o Projeto, o ambiente que arrecadar mais
pontos ganha uma gratificação para a melhoria do mesmo.
O Projeto conscientiza os alunos e todos da escola a comunidade escolar a ter
disciplina e organização.
No ano de 2010 a Escola Miguel Couto tenta manter seus projetos: O 5S, que
mantém a escola organizada e limpa, incentiva os alunos a cuidar do espaço
escolar e aplicar o aprendizado em casa; e o Projeto do Meio Ambiente, que
visa criar um espaço de jardinagem onde as crianças aprendam a cultivar as
plantas e cuidar de uma horta, os alimentos ali produzidos serão inseridos na
merenda escolar, o Projeto Meio Ambiente também dá palestras sobre
preservação, clima e catástrofes causadas pelo descuido com a natureza.
Porque do “tenta manter”? Por que a escola não esta recebendo atenção
necessária das partes responsáveis para manter os projetos ativos, O Projeto
5S recebeu sua ultima visita de inspeção em novembro de 2009, e até o
momento, abril de 2010, não recebeu retorno, o que não desmotivou os alunos
e a direção da escola a manterem o projeto a todo vapor, pois o empenho em
manter o ambiente organizado e a escola limpa ainda estão presentes no dia a
dia da escola, com o Projeto do Meio Ambiente a situação não está tão
motivadora, pois até o momento da ultima visita na escola parceira os materiais
para a construção do espaço para a horta ainda não tinham chegado. A direção
da escola informou que entrou várias vezes em contato com a Secretaria de
Educação do município porém esta informou que não conseguiu pedreiro para
a construção do espaço o que esta atrasando o desenvolvimento do projeto,
porém a direção diz que não vai desistir pois acha muito importante este
espaço para o aprendizado das crianças, que com ele as palestras não ficarão
apenas na teoria.
Investir em atitudes que valorizem a participação dos alunos esta fazendo com
que a Escola Miguel Couto não enfrente tantos problemas com indisciplinas,
pois além de tornar cidadãos que valorizem o meio onde vivem, respeitando
uns aos outros a escola também esta criando seres responsáveis, cientes de
suas atitudes e que cobram da sociedade onde vivem esta mesma
responsabilidade.
Iniciativas como da minha escola parceira que chamam o aluno a
responsabilidade, que estimulam a coletividade e criatividade são comuns no
mundo inteiro, pois faz da ida a escola mais prazerosa. Projetos culturais na
favelas do Rio por exemplo tiram crianças e adolescentes da criminalidade,
pois preenchem as horas vagas, que teriam nas ruas ou nas drogas, com
esportes, dança, pintura, musica, artes, etc. Participando destes projetos os
individuos se libertam das angústias, soltando as expressões que estão
trancadas dentro de si através das atividades propostas, assim tornam-se
pessoas mais calmas, mais seguras em relação a sua realidade, mais disposta
a não fazer parte desta violência que cresce todos os dias em nossa
sociedade.
“Ao indivíduo criativo torna-se possível dar forma aos fenômenos,porque ele
parte de uma coerência interior que absorve os múltiplos aspectos da realidade
externa e interna, os contém e os `compreende' coerentemente, e os ordena
em novas realidades significativas para o indivíduo. Como ser coerente, ele
estará mais aberto ao novo porque mais seguro dentro de si . Sua flexibilidade
de questionamento, ou melhor, a ausência de rigidez defensiva ante o mundo,
permite-lhe configurar espontaneamente tudo o que toca.”(p.132;
OSTROWER,Fayga; Criatividade e processo de criação).
As escolas buscam intensamente se aprimorar em alternativas para manter a
paz, palestras, projetos, grupos de incentivo, atividades extracurriculares, etc.,
tentam fazer com que os alunos assim como sociedade veja que esta cada dia
mais difícil se encaixar numa sociedade violenta onde impera o egoísmo, as
drogas e a ganâcia. O que a sociedade realmente quer?O que os pais esperam
dos filhos que vivem nesta sociedade? O que fazem para mudá-la?
Estas respostas estão cada dia mais difíceis de serem respondidas.
E como será que a sociedade enfrenta este problema?
Vivemos em sociedade, e a convivência nos faz enfrentar e procurar responder
a todo o momento a pergunta:”como agir em relação aos outros?” É uma
pergunta muito fácil, porém difícil de ser respondida. Valores como
honestidade, ética, justiça e disciplina estão cada vez mais frágeis na nossa
sociedade onde o que prevalece são os bens materiais, a cor da pele e a
beleza exterior.Trabalhar estes valores na família, na escola e na sociedade
pode ser fundamental para formar pessoas integras que se respeitem
mutuamente e lutem por uma sociedade mais justa.
A violência está cada dia mais presente, em casa quando os pais brigam e não
se importam se os filhos estão presentes ou não, nos telejornais que relatam
todos os dias a realidade de assaltos, assassinatos e corrupção, e nossas
crianças o que pensam disto? que é normal?
Não podemos deixar que isto aconteça, por isso temos o dever de orientá-los,
de ensiná-los o valor das pessoas, respeito, justiça e ética, para que o mundo
deles seje melhor que o nosso.
Para cada grupo social há regras a serem seguidas para manter o equilibrio e a
ordem desta sociedade, a ética e a moral são sentimentos que devem andar de
mão dadas, pois eles é que regem a boa convivência com os demais.
Os vários grupos e sociedades existentes criam suas próprias formas de viver
e elaboram regras que regulam seu comportamento. Isso implica em direitos,
deveres e obrigações. Essas regras é que vão orientar a conduta do indivíduo
em relação ao seu grupo social.
A moral é o que diferencia o homem de bem e do mau, aquilo que se quer
seguir ou afastar.
Essas regras porém são discutíveis, pois podem ser modificadas ou até mesmo
excluídas, dependendo de como vai o desenvolvimento desta sociedade. Por
exemplo na época dos escravos a escrivadão era comum e tida como legítima,
ninguém se importava se um negro estava sendo castigado até perder todas as
suas forças só porque não obedeceu ao seu dono. As mulheres eram tidas
como objetos, que não podiam ter opinião própria, nem direitos iguais aos dos
homens.
Hoje a sociedade mudou, e reviu seus valores, e ainda luta para conseguir
mudar muitas coisas que dependem da evolução dos seres que vivem em
sociedade.
Somos feitos de escolhas, e essas escolhas definem o que somos, temos a
liberdade de fazer o que quisermos, e as consequências refletiram sobre nós,
para isso existem as leis, para que quando decidirmos fazer a coisa errada,
sejamos punidos por isso, e possamos refletir sobre o que realmente
queremos. Essas escolhas devem ser bem orientadas, deste a infância vamos
aprendendo as regras da sociedade, o que é bom e o que é ruim. Cabe a cada
orgão público a obrigação de orientar seus cidadão ao caminho da moral e da
ética.
Portanto devemos estar constantemente em busca da paz, orientando nossos
filhos para o caminho do bem, amando o próximo e respeitando as pessoas, a
natureza e os animais, porque a paz não depende do outro, mas sim de nós
mesmos.
”Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.
Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em
espírito de fraternidade.” (Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos
Humanos da Organização das Nações Unidas.)

Referências Bibliográficas
http://www.educacaoparapaz.com.br/,
http://www.faac.unesp.br/pesquisa/tolerancia/texto_educacao_borin.htm, http://
www.evirt.com.br/desafio/cap14.htm, Parâmetros Curriculares Nacionais,
Temas Transversais de 1998, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
e Dicionário Aurélio, OSTROWER,Fayga; Criatividade e processo de criação.

A PESQUISA DA ESCOLA E SEU ENTORNO

Relacionando o “ABC do Método” com a Pesquisa da escola e seu entorno

Reflexões sobre os escritos de Brandão no “ABC do Método”, analisando as questões relativas à pesquisa da escola e seu entorno e a relevância desta dentro da proposta de Freire..

O Método e a Importância e Significado de uma Pesquisa dessa Envergadura

O papel da pesquisa no método Paulo Freire, abordado por Brandão, é significativamente importante, não apenas para que se determinem as palavras geradoras, inseridas num contexto real do alfabetizando, mas para tornar possível de acontecer um diálogo bem diferente daquele que encontramos atualmente na sala de aula. O educador deve considerar o conhecimento que o aluno traz consigo, utilizando esse conhecimento como parte importante no processo educativo.

Este diálogo proposto no Método funciona como um decodificador da realidade, onde os “alfabetizandos” são levados a saírem da apatia e do conformismo e refletirem sobre sua real condição de vida, seu papel na comunidade. Este ato em si não deixa de ter em um certo cunho político, estimulando não só um desenvolvimento e transformação individual mas também uma transformação social. Podemos perceber claramente que com esse método as pessoas não apenas se apropriam da leitura e da escrita, mas estão se “alfabetizando politicamente”.

Nos “círculos de cultura” os participantes aprofundam em primeiro lugar a sua leitura do mundo. Já o educador pode “ler”, neste momento, não apenas o “universo vocabular” do alfabetizando, mas a realidade deste. Assim, o educador também emerge num processo de aprendizagem e a diferença entre ambos diminui.

O Método ajuda a percebermos um conceito de educação onde as cartilhas prontas não têm lugar. É uma maneira de ensinar que se constrói de formas diferentes, dependendo do contexto onde é utilizado. Por isso a importância de pesquisar para conhecermos este contexto, tanto social quanto político, e acima de tudo, o contexto existencial do alfabetizando. Isso é importante para que se aproveite os saberes do sujeito e, a partir destes saberes, se delineie uma educação libertadora, livre de preconceitos, livre das amarras da opressão. Uma educação onde cada indivíduo é sujeito da sua própria história e de sua própria educação.


Maria Arzelina Benites Moreira

EDUCAR SEM LIMITE DE DISTÂNCIA

Aprendizagem em Cursos de EaD, suas Abordagens e as TIC’s

Inicialmente oferecida a alunos impossibilitados de freqüentar um curso regular e com o uso das TIC, a EaD dissemina-se favorecendo a democratização do acesso a educação.

Apesar do uso das TIC por si só não representar práticas mais inovadoras e mudança nas concepções de aprendizagem, interfere no ensino. Nesse sentido, Peraya (2002) diz que a utilização das TIC como suporte na EaD não constitui em si uma revolução metodológica, mas reconfigura o campo do possível. Podemos compreender então, que a tecnologia cria novas possibilidades de aprendizagem por meio da exploração das características inerentes às ferramentas empregadas.

A chegada das TIC reavivou práticas de EaD por causa da flexibilidade do tempo, da quebra de barreiras espaços-temporais, o que permitiu o aproveitamento do potencial de interatividade e produção de conhecimento. Por exemplo, como aluna posso estudar mesmo morando a mais de cinqüenta quilômetros da escola e fazendo o horário segundo minhas próprias necessidades.

As abordagens de EaD por meio das TIC foram classificadas em três categorias, por Prado e Valente (2002):

- Broadcast: Entrega da informação ao aluno;

- Virtualização da sala de aula: Transfere para o meio virtual o mesmo modelo de uma aula presencial;

-Estar junto Virtual: Aprendizagem assistida por computador que aproxima o emissor do receptor.

A interação de diferentes tecnologias e metodologias chama-se “blended learning”. Esta metodologia alterna abordagens e diversifica meios e recursos tais como: hipertextos, videoconferências, teleconferências, materiais impressos, vídeos e outros.

EaD não é uma solução paliativa para atender alunos distantes geograficamente, pois hoje é, cada vez mais, uma necessidade porque oferece aos alunos uma diversificação de oportunidades que garante uma educação continuada e de qualidade.

Atuar na EaD inclui expressar pensamentos (Prado; Valente. 2002) tomar decisões, dialogar, trocar informações e experiências e produzir conhecimento.

A EaD envolve, devido à característica das TIC, de “fazer, rever e refazer”, um olhar cuidadoso do professor e do aluno para perceber como evoluiu o processo de aprendizagem, o caminho percorrido, e intervir quando necessário.

Uma das pretensões da EaD é a integração de diferentes tecnologias, uma interação que permita ao aluno representar (Almeida M. E, 2003) as próprias idéias e participar de um processo construtivo.

Hoje se pode dizer que a linearidade textual dá lugar ao hipertexto. O aluno de EaD passa então a mergulhar e navegar no texto em qualquer sentido, fazendo com que esse aluno tenha um maior controle de seu processo de formação, pois ele escolhe o caminho, o rumo e o que deseja conhecer. Às vezes começamos, nós alunos, a ler um texto sobre um determinado assunto, mas através dos links podemos ampliar nosso conhecimento, trilhando a rota que melhor esclarecer-nos as dúvidas.

A EaD em conjunto com as TIC, nos apresentam e até nos impõem, como futuros educadores, um novo modelo de educação, onde é exigida a inclusão digital dos alunos.

Ao caracterizar a EaD e suas abordagens, com o uso das TIC, vemos que ela – a EaD - veio, não para substituir as formas tradicionais de ensino em sala de aula, mas sim para ampliar e complementar a construção do conhecimento e quem sabe trazer ainda mais mudanças positivas para o futuro da educação.

Maria Arzelina Benites Moreira

BULLYING ESCOLAR

BULLYING ESCOLAR


MOREIRA, Maria Arzelina Benites1

ROCHA, Luciane Leites2


Resumo


Este artigo pretende esclarecer que o bullying (tipo de violência que envolve intimidação entre pares, agressões físicas e morais, e que são repetitivas), existe no meio escolar, que sua incidência é extremamente nociva à saúde dos envolvidos, tanto física como emocional e psicologicamente e que ele prejudica o desempenho dos alunos. Pretendemos também abordar o fato de que a não aceitação de que o fenômeno existe nas escolas e que precisa ser eliminado, tanto pelos educadores e pais, quanto pelos próprios alunos (vítimas ou agressores), contribui para a continuidade e o agravamento do bullying, podendo acarretar em sérias conseqüências. Por intermédio de observações no meio escolar, diálogo com alunos, pais e educadores e, em especial, mediante levantamento bibliográfico e análise de artigos sobre o caso, tentamos definir como o fenômeno acontece, as possíveis causas e efeitos, e sugerir formas de combatê-lo para que se instaure um ambiente de paz no meio escolar.


Palavras-chave: Bullying; Violência Escolar; Agressividade.


INTRODUÇÃO


Primeiramente nos cabe salientar que vários fatores contribuem para o aumento de violência nas escolas, ou violência no meio escolar (violência na escola e da escola), como o tráfico de drogas, assédio moral, desigualdades sociais, falta de estrutura familiar, etc. A cada dia que passa nossas escolas vêm apresentando um índice maior de agressividade o que acaba fazendo com que nossos alunos não desenvolvam todo o seu potencial e, consequentemente, torna o relacionamento professor-aluno mais complicado.

Nós, educadores e futuros educadores, sabemos que, muitas vezes, a causa da violência escolar advém do contexto familiar, fator que acaba influenciando profundamente a vida escolar.

A ONU, Organização das Nações Unidas, foi criada em 1945 com a intenção de estabelecer e de manter a paz no mundo, para "preservar as gerações futuras do flagelo da guerra; proclamar a fé nos direitos fundamentais do Homem, na dignidade e valor da pessoa humana, na igualdade de direitos entre homens e mulheres, promover o progresso social e instaurar melhores condições de vida numa maior liberdade" e também condições sob as quais a justiça e o respeito possam ser mantidos.

Para que possam ser atingidos tais objetivos temos que começar educando nossos jovens para a cultura da paz, humanizando o ensino e a aprendizagem. Ensinando além de conteúdos e principalmente pelo exemplo, sobre valores, princípios de combate à intolerância, à discriminação, ao preconceito, à violência e, finalmente, à guerra.

Por isso, abordar essa questão nas escolas é algo fundamental. O educador, o pai, o gestor escolar, todos têm que entender melhor os incidentes que ocorrem envolvendo a violência, seja o bullying ou outro tipo de violência. Saber por que isso acontece e como o educador pode combater ou lidar com estas questões é de suma importância para a cultura da paz nas escolas. Somos educadores e podemos ensinar e aprender a "educar para a paz". Cléo Fante em seu livro: “Fenômeno bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz” nos mostra que tanto quanto a violência pode ser aprendida nas escolas, a não-violência também pode, e deve.

Com a missão de ensinar, formar, informar e construir uma sociedade mais justa, solidária, humana e, sobretudo, comprometida com o bem estar de nossos alunos e com o desenvolvimento dos mesmos, a escola deve ser vista como extensão de nossos lares.

É com muita esperança e certeza de que dias melhores virão que lutamos a cada dia para que possamos ver em todas as escolas um lugar melhor para formar cidadãos melhores que construirão um mundo mais justo e mais humano. Por isto devemos nos unir. Professores, pais, alunos, funcionários e comunidade escolar podem ter um objetivo em comum: somar esforços de forma harmoniosa, com qualificação e riqueza, para que não haja em nossas escolas cenas de praticas de sexo, violência, vícios, e maus tratos tanto de alunos como de professores.


Cada vez mais frequentes no meio escolar são os episódios de agressões físicas, vandalismo, roubo, racismo, trotes, ameaças e, um assunto que desde que ouvimos falar sobre ele nos interessou tratar foi o bullying.

A prática de bullying tem causado sofrimento e desorganização na vida dos educandos, podendo também ocasionar depressão, evidenciada em situações de alunos que tiveram que iniciar tratamento com medicamentos em decorrência do bullying sofrido na escola.

Educar para a paz é, na verdade, na forma como o assunto é abordado neste artigo, educar para a não-violência. Possibilitar ao nosso aluno a construção ou re-construção de valores. Assim como eles aprendem a violência, que se apresenta de formas variadas no cotidiano escolar, também podem aprender a não-violência.

Acreditamos que qualquer tipo de violência pode ser combatido, e o bullying é um tipo bem frequente de violência nas escolas (e fora delas também), só que muitas vezes visto como uma "brincadeira inofensiva" - mas que acaba por se revelar nem um pouco inofensiva quando leva crianças a faltarem nas aulas, a se tornarem violentas (passando de vítimas a vítimas-agressoras), podendo chegar à evasão escolar, depressão e muitas vezes até mesmo acabando em tragédias.


MAS, AFINAL, O QUE É BULLYING?


"O termo bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas entre pares causando dor e angústia, que ocorrem dentro de relações desiguais de poder (FANTE, 2005). O bullying é um problema mundial e tem sido manifestado tanto em escolas públicas como privadas. Beaudoin (2006) afirma que as escolas que não admitem a ocorrência de bullying entre seus alunos, ou desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo. A aparência física é um dos fatores que mais motiva a prática do bullying (ex. peso, altura, raça/etnia).”

Algumas outras maneiras de intimidar os colegas são: chamar-lhes por apelidos ou nomes pejorativos, dizer ou escrever coisas desagradáveis sobre eles, deixá-los fora das atividades do grupo (o conhecido “dar gelinho”) não falando com eles, ameaçando-os, fazendo-os sentir-se desconfortáveis ou com medo, tirando, roubando ou danificando suas coisas, batendo ou chutando-os, etc.

Enfim, o bullying realmente é um tipo de violência, muitas e na maioria das vezes invisível e silenciosa, mas que pode ser devastadora, fazendo com que sua vítima sinta medo, insegurança e desconforto. Pode fazer os jovens se sentirem solitários, infelizes, assustados, inseguros e que achem que deve haver algo realmente errado com eles. Eles perdem a confiança e, portanto passam a não querer mais ir à escola. Pode inclusive deixá-los doentes ou torná-los extremamente desejosos de vingança, causando tragédias, como no caso do jovem da cidade de Remanso, na Bahia, de apenas 17 anos que, cansado de sofrer perseguições, matou um colega e atirou em vários outros. Assim como os massacres nas escolas de Columbine e Virgínia, nos Estados Unidos, amplamente divulgados pela mídia, que tiveram como autores jovens que foram vítimas de bullying antes de se tornarem homicidas-suicidas.

A Pedagoga Cléo Fante diz que "Essa é uma dinâmica escolar cada vez maior, que está virando uma epidemia porque o aluno que é vítima se transforma em agressor e reproduz a violência sofrida. As vítimas geralmente são pessoas tímidas, com características físicas marcantes (usam óculos, são obesas, muito magras, ou têm orelha grande) e não costumam reagir às agressões sofridas. Caladas, preferem guardar a mágoa de maneira silenciosa. Já os agressores -a maioria do sexo masculino - gostam de mostrar poder e encontram nos mais tímidos o "alvo fácil" para chacotas”. (FANTE, 2003)


O BULLYING NAS ESCOLAS OBSERVADAS


Assim como em todos os centros escolares, o fenômeno bullying também está presente nas nossas escolas parceiras, uma estadual e uma municipal, localizadas nos municípios de Guaíba e Arroio dos Ratos. Em conversas com professoras, funcionárias, direção, alunos e pais, descobrimos que muitas pessoas desconheciam, não só o termo bullying, mas desconheciam até mesmo o problema, encarando como "normal" questões de assédio moral, chantagens, humilhações, opressão, apelidos, etc. Mas todos deram como certo que este tipo de manifestação de violência é frequente entre os alunos.

Nossas escolas parceiras demonstram que se preocupam com a Cultura da Paz. Fazem constantemente atividades de integração com a comunidade para envolver alunos, pais e moradores próximos e desenvolvem projetos junto à comunidade escolar com o objetivo de proporcionar um ambiente de solidariedade, amizade e harmonia. Acreditam que essa aproximação garante uma relação mais amistosa e harmoniosa com a comunidade onde estão inseridas.


CONCLUSÃO


O combate ao bullying começa por educar nossos jovens para a cultura da paz, humanizando o ensino e a aprendizagem. Ensinando além de conteúdos e principalmente pelo exemplo, sobre valores, princípios de combate à intolerância, à discriminação, ao preconceito, à violência e, finalmente, à guerra.

Atitudes de bullying, tanto implícitas (exclusão, difamação, "gelinho"...) quanto explícitas (xingamentos, apelidos, agressões físicas...) geralmente são subestimadas pelos pais e, principalmente, pelos professores. A escola deve, em primeiro lugar, admitir que o bullying ocorre naquele local e, em seguida, deixar claro que não admitirá a prática. O professor pode identificar mais facilmente o agressor e vítima e pode proporcionar atividades para esclarecer sobre o problema, como redações, teatro, etc. O difícil, tanto para a escola quanto para o professor é identificar os limites, sabendo diferenciar uma simples brincadeira de criança de um ato de bullying. A dica é o professor se colocar no lugar da vítima e pensar como se sentiria.

A criança percebe melhor o que é ensinado quando ela tem prazer em aprender. A não-violência, o respeito ao próximo, a valorização e a empatia pelo outro podem ser ensinadas de forma divertida bastando para isso que o professor tenha criatividade em elaborar situações de aprendizagem agradáveis aos alunos.


1 e 2 Alunas do Curso de LPD/UFPEL/UAB


REFERÊNCIAS

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BARBOSA Jr., José. A Celebração da Mediocridade. Disponível em Recebido em nov 2009.

CANTINI, Adriana Hartemink. Metodologia da Pesquisa Científica. Disponível em Acesso em out 2009.

COLAVITTI, Fernanda. Inferno na Escola. Disponível em

Acesso em nov 2009.

DREYER, Diogo. A brincadeira que Não tem Graça. Disponível em

Acesso em nov 2009.

FABIS, Camila. Identificando e Enfrentando o bullying nas escolas públicas e privadas, Porto Alegre, 2009. Disponível em Acesso em out 2009.

FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz. 2. ed. rev. e ampl. Campinas, SP: Verus, 2005.

FANTE, Cleo. Brincadeira Perversas. Disponível em: Acesso em nov 2009.

FANTE, Cléo e PEDRA, José Augusto. Bullying escolar: Perguntas e Respostas. Porto Alegre: Artmede, 2008.

MARRIEL L.M.; ASSIS S.G.; AVANCI J.Q.; OLIVEIRA R.V.C. Violência Escolar e Autoestima de Adolescentes. Disponível em Acesso em nov 2009.


POLTRONIERI, Walter Vieira. Como Escrever um Artigo Científico. Disponível em Acesso em out 2009.

STUDART, Hugo. Como Escrever um Artigo. Disponível em Acesso em out 2009.

Texto Afetividade. Disponível em <
http://pt.wikipedia.org/wiki/Afetividade> Recebido da Prof. Sabrina Pfingstag Barth em nov 2009

Texto Educar um Ato de Amor. Disponível em Recebido da Prof. Sabrina Pfingstag Barth em nov 2009

Webcétera Blog. 7 Passos para Escrever um Artigo. Disponível em webcetera.com.br/blog/2008/02/18/7-passos-para-escrever-um-artigo/> Acesso em out 2009.