18 de set. de 2011

BULLYING ESCOLAR

BULLYING ESCOLAR


MOREIRA, Maria Arzelina Benites1

ROCHA, Luciane Leites2


Resumo


Este artigo pretende esclarecer que o bullying (tipo de violência que envolve intimidação entre pares, agressões físicas e morais, e que são repetitivas), existe no meio escolar, que sua incidência é extremamente nociva à saúde dos envolvidos, tanto física como emocional e psicologicamente e que ele prejudica o desempenho dos alunos. Pretendemos também abordar o fato de que a não aceitação de que o fenômeno existe nas escolas e que precisa ser eliminado, tanto pelos educadores e pais, quanto pelos próprios alunos (vítimas ou agressores), contribui para a continuidade e o agravamento do bullying, podendo acarretar em sérias conseqüências. Por intermédio de observações no meio escolar, diálogo com alunos, pais e educadores e, em especial, mediante levantamento bibliográfico e análise de artigos sobre o caso, tentamos definir como o fenômeno acontece, as possíveis causas e efeitos, e sugerir formas de combatê-lo para que se instaure um ambiente de paz no meio escolar.


Palavras-chave: Bullying; Violência Escolar; Agressividade.


INTRODUÇÃO


Primeiramente nos cabe salientar que vários fatores contribuem para o aumento de violência nas escolas, ou violência no meio escolar (violência na escola e da escola), como o tráfico de drogas, assédio moral, desigualdades sociais, falta de estrutura familiar, etc. A cada dia que passa nossas escolas vêm apresentando um índice maior de agressividade o que acaba fazendo com que nossos alunos não desenvolvam todo o seu potencial e, consequentemente, torna o relacionamento professor-aluno mais complicado.

Nós, educadores e futuros educadores, sabemos que, muitas vezes, a causa da violência escolar advém do contexto familiar, fator que acaba influenciando profundamente a vida escolar.

A ONU, Organização das Nações Unidas, foi criada em 1945 com a intenção de estabelecer e de manter a paz no mundo, para "preservar as gerações futuras do flagelo da guerra; proclamar a fé nos direitos fundamentais do Homem, na dignidade e valor da pessoa humana, na igualdade de direitos entre homens e mulheres, promover o progresso social e instaurar melhores condições de vida numa maior liberdade" e também condições sob as quais a justiça e o respeito possam ser mantidos.

Para que possam ser atingidos tais objetivos temos que começar educando nossos jovens para a cultura da paz, humanizando o ensino e a aprendizagem. Ensinando além de conteúdos e principalmente pelo exemplo, sobre valores, princípios de combate à intolerância, à discriminação, ao preconceito, à violência e, finalmente, à guerra.

Por isso, abordar essa questão nas escolas é algo fundamental. O educador, o pai, o gestor escolar, todos têm que entender melhor os incidentes que ocorrem envolvendo a violência, seja o bullying ou outro tipo de violência. Saber por que isso acontece e como o educador pode combater ou lidar com estas questões é de suma importância para a cultura da paz nas escolas. Somos educadores e podemos ensinar e aprender a "educar para a paz". Cléo Fante em seu livro: “Fenômeno bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz” nos mostra que tanto quanto a violência pode ser aprendida nas escolas, a não-violência também pode, e deve.

Com a missão de ensinar, formar, informar e construir uma sociedade mais justa, solidária, humana e, sobretudo, comprometida com o bem estar de nossos alunos e com o desenvolvimento dos mesmos, a escola deve ser vista como extensão de nossos lares.

É com muita esperança e certeza de que dias melhores virão que lutamos a cada dia para que possamos ver em todas as escolas um lugar melhor para formar cidadãos melhores que construirão um mundo mais justo e mais humano. Por isto devemos nos unir. Professores, pais, alunos, funcionários e comunidade escolar podem ter um objetivo em comum: somar esforços de forma harmoniosa, com qualificação e riqueza, para que não haja em nossas escolas cenas de praticas de sexo, violência, vícios, e maus tratos tanto de alunos como de professores.


Cada vez mais frequentes no meio escolar são os episódios de agressões físicas, vandalismo, roubo, racismo, trotes, ameaças e, um assunto que desde que ouvimos falar sobre ele nos interessou tratar foi o bullying.

A prática de bullying tem causado sofrimento e desorganização na vida dos educandos, podendo também ocasionar depressão, evidenciada em situações de alunos que tiveram que iniciar tratamento com medicamentos em decorrência do bullying sofrido na escola.

Educar para a paz é, na verdade, na forma como o assunto é abordado neste artigo, educar para a não-violência. Possibilitar ao nosso aluno a construção ou re-construção de valores. Assim como eles aprendem a violência, que se apresenta de formas variadas no cotidiano escolar, também podem aprender a não-violência.

Acreditamos que qualquer tipo de violência pode ser combatido, e o bullying é um tipo bem frequente de violência nas escolas (e fora delas também), só que muitas vezes visto como uma "brincadeira inofensiva" - mas que acaba por se revelar nem um pouco inofensiva quando leva crianças a faltarem nas aulas, a se tornarem violentas (passando de vítimas a vítimas-agressoras), podendo chegar à evasão escolar, depressão e muitas vezes até mesmo acabando em tragédias.


MAS, AFINAL, O QUE É BULLYING?


"O termo bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas entre pares causando dor e angústia, que ocorrem dentro de relações desiguais de poder (FANTE, 2005). O bullying é um problema mundial e tem sido manifestado tanto em escolas públicas como privadas. Beaudoin (2006) afirma que as escolas que não admitem a ocorrência de bullying entre seus alunos, ou desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo. A aparência física é um dos fatores que mais motiva a prática do bullying (ex. peso, altura, raça/etnia).”

Algumas outras maneiras de intimidar os colegas são: chamar-lhes por apelidos ou nomes pejorativos, dizer ou escrever coisas desagradáveis sobre eles, deixá-los fora das atividades do grupo (o conhecido “dar gelinho”) não falando com eles, ameaçando-os, fazendo-os sentir-se desconfortáveis ou com medo, tirando, roubando ou danificando suas coisas, batendo ou chutando-os, etc.

Enfim, o bullying realmente é um tipo de violência, muitas e na maioria das vezes invisível e silenciosa, mas que pode ser devastadora, fazendo com que sua vítima sinta medo, insegurança e desconforto. Pode fazer os jovens se sentirem solitários, infelizes, assustados, inseguros e que achem que deve haver algo realmente errado com eles. Eles perdem a confiança e, portanto passam a não querer mais ir à escola. Pode inclusive deixá-los doentes ou torná-los extremamente desejosos de vingança, causando tragédias, como no caso do jovem da cidade de Remanso, na Bahia, de apenas 17 anos que, cansado de sofrer perseguições, matou um colega e atirou em vários outros. Assim como os massacres nas escolas de Columbine e Virgínia, nos Estados Unidos, amplamente divulgados pela mídia, que tiveram como autores jovens que foram vítimas de bullying antes de se tornarem homicidas-suicidas.

A Pedagoga Cléo Fante diz que "Essa é uma dinâmica escolar cada vez maior, que está virando uma epidemia porque o aluno que é vítima se transforma em agressor e reproduz a violência sofrida. As vítimas geralmente são pessoas tímidas, com características físicas marcantes (usam óculos, são obesas, muito magras, ou têm orelha grande) e não costumam reagir às agressões sofridas. Caladas, preferem guardar a mágoa de maneira silenciosa. Já os agressores -a maioria do sexo masculino - gostam de mostrar poder e encontram nos mais tímidos o "alvo fácil" para chacotas”. (FANTE, 2003)


O BULLYING NAS ESCOLAS OBSERVADAS


Assim como em todos os centros escolares, o fenômeno bullying também está presente nas nossas escolas parceiras, uma estadual e uma municipal, localizadas nos municípios de Guaíba e Arroio dos Ratos. Em conversas com professoras, funcionárias, direção, alunos e pais, descobrimos que muitas pessoas desconheciam, não só o termo bullying, mas desconheciam até mesmo o problema, encarando como "normal" questões de assédio moral, chantagens, humilhações, opressão, apelidos, etc. Mas todos deram como certo que este tipo de manifestação de violência é frequente entre os alunos.

Nossas escolas parceiras demonstram que se preocupam com a Cultura da Paz. Fazem constantemente atividades de integração com a comunidade para envolver alunos, pais e moradores próximos e desenvolvem projetos junto à comunidade escolar com o objetivo de proporcionar um ambiente de solidariedade, amizade e harmonia. Acreditam que essa aproximação garante uma relação mais amistosa e harmoniosa com a comunidade onde estão inseridas.


CONCLUSÃO


O combate ao bullying começa por educar nossos jovens para a cultura da paz, humanizando o ensino e a aprendizagem. Ensinando além de conteúdos e principalmente pelo exemplo, sobre valores, princípios de combate à intolerância, à discriminação, ao preconceito, à violência e, finalmente, à guerra.

Atitudes de bullying, tanto implícitas (exclusão, difamação, "gelinho"...) quanto explícitas (xingamentos, apelidos, agressões físicas...) geralmente são subestimadas pelos pais e, principalmente, pelos professores. A escola deve, em primeiro lugar, admitir que o bullying ocorre naquele local e, em seguida, deixar claro que não admitirá a prática. O professor pode identificar mais facilmente o agressor e vítima e pode proporcionar atividades para esclarecer sobre o problema, como redações, teatro, etc. O difícil, tanto para a escola quanto para o professor é identificar os limites, sabendo diferenciar uma simples brincadeira de criança de um ato de bullying. A dica é o professor se colocar no lugar da vítima e pensar como se sentiria.

A criança percebe melhor o que é ensinado quando ela tem prazer em aprender. A não-violência, o respeito ao próximo, a valorização e a empatia pelo outro podem ser ensinadas de forma divertida bastando para isso que o professor tenha criatividade em elaborar situações de aprendizagem agradáveis aos alunos.


1 e 2 Alunas do Curso de LPD/UFPEL/UAB


REFERÊNCIAS

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COLAVITTI, Fernanda. Inferno na Escola. Disponível em

Acesso em nov 2009.

DREYER, Diogo. A brincadeira que Não tem Graça. Disponível em

Acesso em nov 2009.

FABIS, Camila. Identificando e Enfrentando o bullying nas escolas públicas e privadas, Porto Alegre, 2009. Disponível em Acesso em out 2009.

FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz. 2. ed. rev. e ampl. Campinas, SP: Verus, 2005.

FANTE, Cleo. Brincadeira Perversas. Disponível em: Acesso em nov 2009.

FANTE, Cléo e PEDRA, José Augusto. Bullying escolar: Perguntas e Respostas. Porto Alegre: Artmede, 2008.

MARRIEL L.M.; ASSIS S.G.; AVANCI J.Q.; OLIVEIRA R.V.C. Violência Escolar e Autoestima de Adolescentes. Disponível em Acesso em nov 2009.


POLTRONIERI, Walter Vieira. Como Escrever um Artigo Científico. Disponível em Acesso em out 2009.

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