INCLUSÃO ESCOLAR
Sirlei Colares Bauer
RESUMO
O processo de inclusão da criança na instituição escolar é um momento de mudança e renovação na vida da criança, do professor e da família, que precisam entender a importância de cada membro envolvido, fazendo-se necessário que se definam suas funções para que esta fase não cause polemica nem traumas no ambiente escolar.
Palavra-chave: Inclusão, Criança, Família e Escola.
1 INTRODUÇÃO
Este paper tem por finalidade apresentar pesquisas, análises e estudos referentes “a inclusão escolar”, bem como apontar os fatores que dificultam este processo no ambiente escolar. Para Maselli e Di Pasquale (1997), a questão da inclusão volta-se não apenas para quem apresenta dificuldades mas apresenta-se no encontro daquele que é considerado “normal” com quem está com dificuldade já que a inclusão é um processo aberto que reconhece as identidades e conhecimentos.A educação especial foi, ao longo da história, evoluindo e passando por diversas situações que levaram de abandono e segregação à busca por direitos e igualdade. Nos dias atuais, apesar de muitos avanços a inclusão ainda não se dá de forma concreta (que muitas vezes são desencadeados pelos mais diversos fatores).Imaginar que o sucesso de um processo de inclusão se resume em ter um aluno com necessidade especial em uma turma dita regular é banalizar uma situação que não termina em si mesma. Os educandos com necessidades educacionais especiais apresentam como os demais alunos vontade e direito de aprender em um ambiente adequado e livre de preconceitos. Assim fica a cargo da escola trabalhar primeiro com as famílias sobre a importância da inclusão e de como eles devem agir para ajudar os filhos a superarem preconceitos que muitas vezes é mais difícil para a família do que para a própria criança, tanto do aluno com necessidades especiais como o aluno “normal”.
Objetivo geral
Analisar as ocorrências do processo de inclusão e quais os fatores que dificultam a inclusão das crianças com necessidades educacionais especiais no cotidiano escolar.
2 DESENVOLVIMETO
O processo de inclusão escolar é de suma importância para a criança e deve merecer toda a atenção da comunidade escolar por ser uma fase delicada que envolve principalmente a rede de relações entre criança, família, escola.
Segundo Carvalho (2000): O trabalho com e na diversidade vai na direção dos quatro pilares para educação do século XXI propostos pela UNESCO: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser a aprender junto.
É uma proposta ampla na qual a escola precisa pensar em uma educação para todos, sempre procurando respostas e alternativas que sejam adequadas às necessidades de cada aluno já que não é apenas um aluno com deficiência que demanda muitas vezes uma atenção especial, é preciso mobilizar a comunidade escolar em geral buscando criar uma parceria de serviços e recursos, baseados no trabalho cooperativo.
Assim o fator principal do processo de inclusão deixa de ser a problemática individual de cada aluno e sim as estratégias e metodologias de trabalho, bem como os recursos e os suportes oferecidos para suprir as necessidades dos educando. Como se prevê na Declaração de Salamanca que foi o resultado de uma conferencia mundial sobre educação especial promovida pela UNESCO em 1994 a inclusão escolar vem para romper com o paradigma educacional existente propondo a adoção de Linha de Ação em Educação Especial, onde entre essas ações propostas no documento, o principio 47 afirma que a provisão de serviços de apoio é fundamental para o sucesso das políticas educacionais inclusivas. Esse suporte é focado diretamente nos alunos, buscando subsidiar o trabalho do professor da classe regular através das salas multifuncionais.
O Brasil, em suas políticas públicas educacionais, tem procurado privilegiar os processos de inclusão escolar, buscando garantir o acesso dos alunos ao ensino regular. A Constituição Federal de 1988 universaliza o ensino, garantindo educação para todos. A LDB de 1996 e mais recentemente, a resolução 02/2001 do CNE/CEB, privilegiam o ensino comum como o espaço para o ingresso e atendimento dos alunos com necessidades educacionais especiais.
Nesta visão há uma inversão da lógica vigente por muitos tempos, onde ao invés de serem excluídas as crianças com necessidades especiais passam a terem direitos iguais aos demais membros da sociedade, assim, cabe as escolas procurarem a forma mais adequada de incluí-las, dando ênfase nas abordagens pedagógicas ao invés das abordagens clinicas que por longo período caracterizaram o atendimento da educação especial. .
Ao se pensar nas ações que a escola vai propor para atender as necessidades que quaisquer alunos possam vir a ter (com ou sem deficiência), é importante concentrar-se nos recursos educacionais adequados para atender a esse público. Isso muitas vezes leva a reflexão sobre os objetivos, o currículo, a avaliação e a metodologia de trabalho empregado e principalmente na formação de professores capacitados.
Para muitos professores é muito difícil o fato de ter que trabalhar com aluno incluído devido à falta de formação ou mesmo de suporte tanto por parte da família como da escola ou mesmo da rede escolar em que está inserido.
Partindo deste pressuposto, a rede municipal de educação deparou-se com a necessidade da criação das salas multifuncionais, onde uma equipe multidisciplinar composta de psicopedagoga, psicólogas, fonoaudiólogas, e neurologista que atendem aos educandos com necessidades especiais, as famílias e ainda prestam suporte ao trabalho do professor de sala de aula, através de visitas e reuniões.
Os alunos são atendidos em turno oposto ao de sua aula regular e varia a freqüência que a criança deve ocupar este espaço conforme a sua necessidade.(duas ou mais vezes por semana). Essas salas estão localizadas em escolas pólos que muitas vezes não é a do aluno, mas que na medida do possível fica de fácil acesso a todos os alunos que necessitam deste suporte. Assim, a sala multifuncional constitui-se num espaço de trabalho pedagógico especialmente planejado para a investigação e atendimento de alunos no ensino regular que apresentam necessidades educacionais especiais e busca contribuir para sua integração de forma adequada ao ambiente regular de ensino.
Fica possibilitado, nessa maneira de trabalho, o esclarecimento de dúvidas, pois, serão plantadas sementes nessas visitas e reuniões para o estabelecimento de uma relação de confiança, afetividade e amizade entre a escola regular, a família e a equipe da sala multifuncional. Assim cabe à família confiar no trabalho da escola, do professor e demais profissionais que atendem seu filho, para que desta interação resulta a construção de laços saudáveis, aptos a uma troca de vivências que enriquece a aprendizagem da criança no meio escolar e possibilita seu pleno desenvolvimento.
Considerações finais
Marcado por encontros e desencontros, o processo de inclusão escolar é um momento muito importante e rico que sofreu vários avanços ao longo dos tempos. É o momento em que a criança com necessidades especiais e os seus familiares passam a criar com a escola vínculos afetivos destinadas a favorecer a construção de um mundo social mais amplo em que estejam presentes duas conquistas fundamentais: independência, autonomia e aprendizagens significativas.
Nesse contexto, a escola aparece como a mediadora principal da inclusão destes indivíduos antes excluídos à vida escolar e social. Sabendo que o papel do educador está centrado na construção do elo entre as crianças e o desconhecido, caberá a ele conduzir o processo de inclusão com clareza de idéias, com embasamento em propostas pedagógicas pertinentes e adequadas às necessidades de cada membro envolvido, onde seus conhecimentos serão postos à prova dia a dia, para construir um ambiente propicio com clima amistoso que permita à criança a aquisição de autonomia e segurança em suas habilidades cognitivas, motoras, afetivas e sociais.
De acordo com Belisário (2005), para que as escolas sejam verdadeiramente inclusivas, ou seja, abertas à diversidade, há que se romper com paradigmas que vão desde a maneira de se pensar e de fazer educação, onde entre tantas inovações a inclusão implica na fusão do ensino regular com o especial.
Com certeza, as escolas têm uma missão crucial neste processo inclusivo, pois deve, a cada novo aluno ( com ou sem necessidades especiais), redimensionar suas práticas, a fim de bem atender a ele e a sua família. Muitas vezes torna-se complicado para o educador lidar com toda a carga emocional existente nesse tipo de situação. Por outro lado, é fundamental que ele possa oferecer um ambiente emocional adequado para ocorrer à inclusão, preparando o grupo, a sala de aula e a si mesmo para a entrada de um aluno com necessidades educacionais especiais.
Entendo que a inclusão é um assunto muito complicado tanto para os pais, como para as crianças e de certa forma para os professores. As escolas devem estar preparadas para atender da melhor forma possível essa clientela, já que não deverá em hipótese alguma promover qualquer situação que possa provocar, tanto no aluno com na família, a sensação de exclusão ou abandono. Quando a criança entra pela primeira vez no ambiente escolar regular observa-se que é diferente da antiga maneira de atendimento à educação especial, pois esta atitude resultará em danos à criança e ao processo de inclusão, uma vez que toda situação nova, tanto para as crianças como para os adultos resulta numa posição desconfortável, tirando o indivíduo da sua zona de conforto. Enfrentar o desconhecido é sempre uma condição estressante independente da idade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MASELLI, Marina; DI PASQUALE, Giovana. A integração escolar dos alunos portadores de deficiência. Na Itália. In: Silva, L. H.; AZEVEDO, J. C.; SANTOS, E (Org.). Identidade social e a construção do conhecimento. Porto Alegre: SMED, 1997. P. 282-306.
ELDER CARVALHO, Rosita A nova LDB e a educação especial. 2 ed. Rio de Janeiro: Ed. WVA, 2000.
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CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Câmara de Educação Básica. Resolução n.2, de 11 de set. de 2001. Institui diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica. Diário Oficial da União, Brasília, n. 177, 14 de set. de 2001, p.39-41.
UNESCO. Declaração de Salamanca: sobre princípios, políticas e práticas em educação especial. Disponível em: http://www.regra.net/educação. Acesso em 11 de abril de 2011.
BELISÁRIO, J. Ensaios Pedagógicos. Construindo Escolas Inclusivas. Brasília: MEC, SEESP, 2005.
COLL, C. MARCHESI, A.; PALACIOS, J. Desenvolvimento Psicológico e Educação: Necessidades Educativas Especiais e Aprendizagem Escolar. Porto Alegre: ARTES MÉDICAS, 1995.
EIZIRIK, Marisa F. Educação e construção de mundos: por onde passa a inclusão na escola regular? In. Projetos – Revista de Educação: inclusão. Porto Alegre: Editora Projeto, ano V, n.7, out./2003.