Por Luciane Leites Rocha
Nesta época em que todos se lembram do “Zumbi dos Palmares”, que morreu no dia 20 de novembro, data eternizada na memória de todos os brasileiros, pois é o Dia da Consciência Negra, as escolas ficam homenageando os negros e relembrando da contribuição destes para a cultura de nosso país. Lembrei então do que amigos chegados me contaram sobre o Quilombo Morro Alto, local que ainda pretendo conhecer e que fica a apenas duas horas de viagem de Porto Alegre.
Os descendentes de escravos que lá vivem usam um sistema de dividir as terras por famílias e entre os espaços familiares não existe separação por cercas, pois cada um conhece o seu espaço e respeita o espaço do outro. Que belo exemplo a ser seguido!
Cada família quilombola tem suas criações de galinhas, ou patos, porcos, colméias de abelhas. Cultivam verduras como couve, temperos verdes, espinafre. Plantam cebola, cana-de-açucar, maracujá e até têm eucaliptos em volta do quilombo. Fazem uso exclusivamente doméstico destas culturas.
No quilombo eles não plantam nada com interesse comercial, pois praticam o sistema de trocas. Quando matam um porco, por exemplo, trocam pedaços de carne ou porções de banha por outros produtos. Às vezes ficam com uma espécie de “vale” para usar numa troca futura.
E a educação é parte importante na vida das pessoas do quilombo. Lá existe uma escola de curso fundamental para as crianças e tem gente falando até francês graças a intercâmbios que acontecem devido à mobilizações de ONGs e associações de quilombolas.
Acho que paz na educação se constrói assim, com união e respeito, entrelaçando culturas, cultivando tradições, relembrando as raízes, assim como os quilombolas fazem muito bem. Que todos nós possamos lembrar nossas raízes não apenas no Dia da Consciência Negra, mas sempre. Que todos, brancos, negros, vermelhos e amarelos possamos e queiramos viver em paz uns com os outros e que a educação possa sempre contribuir para isso.

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