25 de set. de 2011

Brincadeiras na Educação Infantil

Brincadeiras na Educação Infantil

[1]Micheli Beatris da Rosa

Resumo: Percebendo a importância de uma educação direcionada aos pequenos, elaboramos este trabalho, tendo como foco principal as brincadeiras na Educação Infantil, o que envolve conhecimentos teóricos relevantes no processo de ensino-aprendizagem. Algumas leituras foram realizadas para nos dar subsídios para a elaboração do trabalho, que nos auxilia no entendimento da importância do ato de brincar, o papel do brinquedo e das brincadeiras (atividades lúdicas) no desenvolvimento cognitivo/emocional da criança. Neste contexto, não podemos deixar de mencionar as contribuições de Vygotsky e Piaget, que nos auxiliaram na compreensão do desenvolvimento das crianças (O papel do brinquedo no desenvolvimento, de Vygotsky e Os estágios de desenvolvimento, de Piaget).

Palavras-chave: Educação Infantilbrinquedobrincarbrincadeirasatividades lúdicasensino-aprendizagem.

Introdução

No presente trabalho, estão expostas algumas questões pertinentes no que diz respeito à fase de vida mais importante do ser humano, aquela que servirá como base forte na construção da identidade, da personalidade da criança. Estamos falando da Educação Infantil, que é a etapa que prepara a criança para todas as outras que se seguirão e, para que a passagem das crianças pela Educação Infantil seja significativa, prazerosa, divertida, é extremamente importante que haja espaço para o brinquedo, a brincadeira, o jogo, o lúdico, e que isto seja possível em todas as creches e escolas.

Através de experiências na Educação Infantil, podemos perceber a importância de uma educação direcionada aos pequenos, por esta razão optamos pela subtemática "Brincadeiras na Educação Infantil", pois, além de ser um tema gostoso de ser trabalhado, envolve muitos conhecimentos extremamente relevantes no processo de ensino-aprendizagem.

Desta forma, acreditamos que será um trabalho rico, com várias leituras importantes para entender a importância do brincar, da imaginação no desenvolvimento cognitivo e afetivo/emocional da criança, bem como atentar não só ao papel do brinquedo no desenvolvimento, como também ao papel do professor/adulto neste processo.

1. O Papel do Brinquedo no Desenvolvimento

Entendemos que o brincar é importante para o pleno desenvolvimento e aprendizagem da criança, principalmente na fase que vai dos 3 aos 6 anos de idade, onde ela irá se desenvolver nos aspectos cognitivo, psicológico, afetivo (socialização, emocional), psicomotor.

O brincar assume uma grande importância no desenvolvimento infantil, pois desenvolve as funções psicológicas superiores, possibilitando a criação da chamada ZDP (zona de desenvolvimento proximal), que permite a construção de novos saberes. Daí a relevância do ato de brincar, pois, através da brincadeira, a criança poderá construir conhecimentos, novos saberes estabelecidos pela aprendizagem escolar.

Desta forma, a brincadeira é fundamental para o desenvolvimento da criança, podendo ser entendida e utilizada como poderoso recurso na aprendizagem. O lúdico na escola favorece diferentes aprendizagens, estimula, motiva, incentiva. Aprendemos brincando e brincamos aprendendo.

No Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil, está proposta a utilização das atividades lúdicas como forma de promover a aprendizagem para que os conceitos sejam apreendidos e o estudo se torne uma atividade natural para a criança, sem ser cansativa e torturante, mas uma atividade atrativa e voltada para elas.

Segundo Vygotsky, o brinquedo não é uma atividade que dá prazer à criança, já que muitas experiências como alguns jogos (videogame, esportes), se tornam desagradáveis sempre que o resultado é negativo para a criança, gerando sentimentos de frustração, derrota e/ou incapacidade.

O brinquedo não pode ser visto apenas como uma atividade que proporciona a sensação de prazer para a criança e que preenche todas as suas necessidades. Muitos teóricos e pessoas comuns ignoram as necessidades das crianças, descrevendo o desenvolvimento da criança somente como o de suas funções intelectuais, em nível superior ou inferior, deslocando-se de um estágio a outro. Mas, ao ignorarmos as necessidades da criança, não saberemos quais são os incentivos que a colocam em ação, jamais entendendo o avanço de um estágio a outro de seu desenvolvimento. "Todo avanço está conectado com uma mudança acentuada nas motivações, tendências e incentivos" (Vygotsky, pg. 105).

O desenvolvimento da criança dependerá do interesse dela e o que interessa a um bebê, deixa de ser interessante para uma criança maior, dependendo, portanto, de seu processo de maturação.

As crianças menores são imediatistas, se não forem atendidas imediatamente ficam mal-humoradas, irritadas por não realizarem um desejo e é na idade pré-escolar que surgem os desejos que não poderão ser satisfeitos de imediato, no entanto, permanece a característica do estágio imediatista, daí a necessidade e a possibilidade de criação de um mundo imaginário, onde possam ser atendidos os seus desejos - brincadeira/brinquedo/faz de conta. A imaginação surge, assim, como um novo processo psicológico/cognitivo humano.

A imaginação pode ser entendida como o brinquedo com ou sem ação. Quando a criança não pode fazer ou ter algo, ela imagina, brinca de faz de conta, assim, no brinquedo a criança cria uma situação imaginária que satisfaça seu desejo.

O brincar/jogar com regras se inicia no fim da idade pré-escolar e será desenvolvida ao longo de todo o período escolar. O brinquedo que desenvolve uma situação imaginária pode também ser baseado em regras, podendo ser de comportamento, de acordo com a própria realidade vivida. Exemplo: Duas meninas que brincam de 'irmãs', e elas são realmente irmãs. Representam (através da imaginação, imitação, faz de conta), portanto, a própria realidade, seguindo regras de comportamento até mesmo implícitas nas relações.

"Toda situação imaginária contém regras de forma oculta, também demonstramos o contrário - que todo jogo com regras contém, de forma oculta, uma situação imaginária. O desenvolvimento a partir de jogos em que há uma situação imaginária às claras e regras ocultas para jogos com regras às claras e uma situação imaginária oculta delineia a evolução do brinquedo das crianças." (Vygotsky, pg. 109)

Além disso, devemos destacar novamente a influência do brinquedo no desenvolvimento da criança. O comportamento de uma criança muito pequena é determinado pelas condições em que a atividade ocorre.

"É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao invés de numa esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas, e não dos incentivos fornecidos pelos objetos externos."

As restrições situacionais situam-se num aspecto da consciência na primeira infância: motivação e percepção integradas a uma reação motora. "A percepção estimula a ação." (Vygotsky, 2001, pg. 125)

"A brincadeira consiste no fazer, no conteúdo da própria ação." "Toda ação tem um objetivo consciente para o qual ela se dirige." (Vygotsky, 2001, pg. 125)

Vygotsky diz ainda que a ação, numa situação imaginária, ensina a dirigir o comportamento, não só pela percepção dos objetos ou pela situação que afeta, mas pelo significado da situação. Podemos dizer que na brincadeira são desenvolvidos traços da personalidade, da identidade da criança. O brinquedo /jogo/brincadeira nunca pode ser tido como atividade sem objetivo, sem propósito. "O propósito decide o jogo e justifica a atividade." (Vygotsky, 2001, pg. 125). A brincadeira altera estruturas mentais, pois criam, representam e reproduzem mais do que se vê.

Os brinquedos e jogos são necessários ao desenvolvimento e aprendizagem, assim, as brincadeiras são importantes no processo de ensino-aprendizagem, favorecendo as construções, reflexões, autonomia e a criatividade, contribuindo para a afirmação pessoal e integração do indivíduo na sociedade.

É preciso que as escolas se dêem conta da importância do brincar, dos brinquedos, das brincadeiras, dos jogos, das atividades lúdicas, trabalhando e abrindo espaços para a imaginação, o faz de conta, a representação, a imitação e, principalmente, a criação. As relações entre fantasia e realidade estabelecem conceitos, ordenam, dão outro significado para suas experiências. A imitação acaba por permitir uma reconstrução interna do que é observado, possibilitando a superação de limites.

As situações de imitação devem sempre desencadear o processo de aprendizagem, ou seja, observar e imitar para construir. Ressaltamos, ainda, que brincadeira/recreação não é passatempo, contêm propósitos e objetivos, metas que comprovem sua razão de ser, e, o papel do professor, não é 'ficar olhando' as crianças brincarem, mas ser um mediador no processo de socialização, de interação das crianças, com as crianças e com os objetos de conhecimento e que proporcionem aprendizados.

Entendemos que conhecimento e aprendizagem estão interligados, são partes que formam a educação infantil. Vejamos algumas considerações importantes:

“O conhecimento e a aprendizagem são partes integrantes da educação infantil, as crianças pequenas associam-se aos processos de constituição, tais como: o afeto, a sexualidade, a socialização, o brincar, a linguagem, o movimento, a fantasia e o imaginário. O conhecimento psicológico deixa uma referência para intervenção pedagógica e, expande sua perspectiva, proporcionando uma abordagem dos processos de desenvolvimento humano a partir da relação com a sociedade e a cultura.” (ROCHA, 1999, pg. 62).

Assim, compreendemos o que o autor nos diz, na medida em que a criança deve desenvolver-se em todos os sentidos, a fim de que possa se tornar um sujeito pleno. É nesse contexto que a educação infantil torna-se importante, para que a criança seja estimulada, ajudada no longo processo de aprendizagem.

É através da brincadeira que a criança pode desenvolver suas capacidades, ultrapassar e transformar a realidade vivida através da imaginação. Ao brincar, as crianças pequenas discutem regras da sociedade à qual pertencem, explorando, refletindo sobre ela e incorporando referenciais existentes, internalizando regras presentes nas relações humanas.

“O brinquedo é entendido, segundo os especialistas, como simples objeto de entretenimento infantil, também ajuda no desenvolvimento fisiológico e psicológico da criança, como com o meio de aprendizagem ou como exercício preparatório de sua formação.” (MOROE, pop. cit. pg. 306).

ROCHA, 1999, pg. 61 e 62, Filosofia e História da Educação, pg. 135.

Se o brinquedo e as brincadeiras podem desempenhar um papel importante, ajudando no desenvolvimento cognitivo/afetivo/psicológico da criança, podemos afirmar que a criança necessita brincar com as outras, tendo em vista que é essa socialização/convivência/troca que contribui no processo de constituição do próprio sujeito, por essa razão, dizemos que as práticas na educação infantil devem caracterizar-se como ações de cuidar e também de educar de forma integrada a criança pequena.

2. A importância da Psicomotricidade na Educação Infantil

A Psicomotricidade assume uma grande importância no desenvolvimento da criança, pois contribui para a estruturação do esquema corporal tendo como objetivo o movimento. Além de proporcionar momentos de diversão, é através das atividades psicomotoras que as crianças tem a oportunidade de criar, interpretar, relacionar-se com os outros, imitar, fantasiar.

A psicomotricidade é essa ação de relacionar-se com o outro através do movimento, unindo corpo, mente, natureza e sociedade. A afetividade também é um fator importante, pois todo ser humano usa seu corpo para demonstrar o que sente.

Através das experiências com o próprio corpo a criança forma conceitos, toma consciência do seu corpo e das possibilidades de se expressar por meio dele. E, a psicomotricidade nada mais é do que o desenvolvimento motor, afetivo, psicológico, promovidos por jogos e atividades lúdicas. A psicomotricidade, portanto, é essencial para o desenvolvimento pleno da criança.

“A educação psicomotora para ser trabalhada necessita que sejam utilizadas as funções motoras, perceptivas, afetivas e sócio-motoras, pois assim a criança explora o ambiente, passa por experiências concretas, indispensáveis ao seu desenvolvimento intelectual, e é capaz de tomar consciência de si mesma e do mundo que a cerca.”

3. A criança no contexto social - A realidade de muitas crianças

É na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN, assim como em outras leis, que é ressaltada a importância da infância, "considerando, assim, a educação infantil como instrumento e condição essencial de democratização da sociedade, especificando o brincar como condição essencial para o desenvolvimento da criança."

Mas, o filme Crianças Invisíveis retrata a realidade vivida em nossa sociedade e o quanto estamos distantes da sonhada democracia e igualdade de condições, pois trata das histórias, fictícias ou reais, de crianças que estão à margem da sociedade. Deixemos apenas dois trechos que falam sobre este filme, com cara de documentário, atual e dramático, que demonstra como a infância continua sendo tratada, apesar dos esforços para uma real mudança de atitudes.

"São sete curtas que retratam os dramas de crianças nas mais variadas partes do mundo, incluindo o Brasil. Todas as histórias mostram crianças que estão à margem da sociedade (com exceção do episódio Song Song e Gatinha, que revela as mazelas tanto do mundo abastado quanto do miserável).

São vários estilos, que vão do realismo brutal da história de garotos guerrilheiros na África; passando pela viagem fantástica do fotógrafo de guerra que volta a ser menino; ou pelo choque entre a dureza de caráter do garoto ladrão napolitano frente a seu indisfarçável desejo de brincar como criança que é; chegando ao retrato do extremo de uma sociedade muito desigual socialmente, mas que divide entre os desiguais dramas e tristezas."

"Um menino americano, 12 anos, fuzil nas mãos e olhar destemido mesmo quando encara uma patrulha do exército. Porém, seus sentimentos vêm à tona quando se depara com uma sala de aula, um quadro negro e material escolar. É na escola que ele gostaria de estar."

Vimos até aqui, uma série de referenciais teóricos que nos dizem como deve ser a infância, orientações para a educação infantil, sobre o cuidado, a afetividade, o brincar, as brincadeiras, a fantasia, a imaginação, o ser criança, coisas que parecem ser tão comuns na infância. Mas, quando vemos relatos, imagens, filmes como este que acabamos de citar, nos perguntamos: Como tratamos a infância? Essas crianças tem seu direito de viver a infância assegurados? Quais as situações das crianças que chegam às classes de educação infantil? Elas sabem brincar, tem espaço e oportunidades para isso, se desenvolvem como poderiam?

4. Com Olhos de Criança

Acreditamos que todos nós sabemos as respostas das questões feitas anteriormente, sabemos que a infância não é respeitada, que a escola ainda não dá a devida importância ao ato de brincar e não tem espaços adequados e o planejamento necessário para trabalhar com a socialização, tendo a brincadeira como meio de atingir este objetivo da educação infantil e, é a partir dessas respostas, baseadas no presente, na realidade observada na escola e no respeito às crianças que temos o dever de planejar nossas práticas pedagógicas e propor, lutar para que novas práticas sejam adotadas.

Na escola 'real' a brincadeira ainda é vista como simples passatempo, até mesmo considerada por muitos educadores como perda de tempo. As brincadeiras são propostas, mas os próprios professores tem dificuldade em entender o ato de brincar como parte essencial na construção da personalidade, do comportamento, do desenvolvimento da criança.

As atividades propostas na escola parceira, por exemplo, são as mais simples, como: brincar na areia, na pracinha, brincar de pega-pega, pula-corda, passa-anel, telefone-sem-fio, de polícia e ladrão, de carrinho, brincar de boneca, de cantigas de roda, etc. Mas, percebemos que falta envolvimento por parte do professor, que muitas vezes se limita em cuidar, não participando, nem orientando as brincadeiras. Existe um distanciamento, não das brincadeiras, mas das crianças no momento da brincadeira.

Entendemos as atividades lúdicas e sua importância, pois, através delas podemos desenvolver até mais do que se propõe num primeiro momento. É importante pensarmos, também, em como as crianças veem o mundo, os pais, a família, a escola, a sociedade como um todo. O educador tem o dever de enxergar a criança como pessoa que é, com potenciais para serem desenvolvidos, que precisa de alguém capaz de ajudá-la em suas dificuldades e que facilite o seu desenvolvimento enquanto ser humano.

Nas creches, por exemplo, os pequenos tem à sua disposição muitos brinquedos, além de outros materiais, recebendo carinho, atenção e o cuidado dos professores, o que permite as brincadeiras, a exploração do espaço, do mundo, o contato com o outro, o conhecimento de si mesmo. Os brinquedos e materiais disponíveis servem de estímulo à imaginação.

Muito tem sido descoberto sobre a inteligência dos bebês, como se dá sua evolução cognitiva e emocional, o que pode ser comprovado por experiências, pela rotina diária das crianças, que podem ser posteriormente organizadas em um currículo que proporcione o desenvolvimento de todas as suas habilidades e/ou aprendizagens que ocorrerão através das ações, da interação com outras pessoas, do ato de brincar, da imaginação e faz de conta.

No faz de conta, a professora deve interagir com as crianças e estimulá-las enquanto brincam. A comunicação deve, portanto, ser estabelecida de forma contínua. Através da brincadeira, os pequenos vão aos poucos se inserindo na cultura e na sociedade, aprendendo a viver em grupo, a relacionar-se com os outros e também a ter controle das suas emoções.

Tudo o que for aprendido na Educação Infantil será valioso nas próximas fases da vida escolar e adulta. O contato com a leitura, por exemplo, ajudará muito na fase de alfabetização. Assim, todos os conceitos aprendidos, as descobertas feitas, continuarão a ter validade mesmo na vida adulta.

“Por meio da exploração, da curiosidade, da observação e dos questionamentos que fazem aos adultos, as crianças buscam entender o como e o porquê dos fenômenos da natureza e da sociedade.”

As crianças tem o mundo todo para conhecer, explorar, descobrir coisas novas, já que tudo encanta seus olhos e, aos poucos, irão formulando seus próprios conceitos de tudo o que está à sua volta. E, nesse processo, o professor deve intervir a fim de ajudá-los a entender e compreender melhor determinadas coisas. Compartilhar e interagir são muito importantes, já que todos nós aprendemos com nossos semelhantes.

Podemos dizer que o homem realmente precisa dos seus semelhantes para existir, ser e viver, pois nossa identidade e autonomia são construídas pouco a pouco, na medida em que nos relacionamos com os outros, com o grupo, com a sociedade. A escola deve, portanto, oferecer os meios para que as crianças desenvolvam-se em todas as suas capacidades.

É preciso ser mais do que um educador que vê seus alunos com distanciamento, como se a escola ou creche fosse um 'cabideiro' humano, onde as crianças são deixadas lá por um tempo, enquanto os pais trabalham, ou ainda aquele educador que conta cada segundo 'gasto' ou 'perdido' com seu aluno, ou pior, aquele que vê a criança sempre 'de cima', não levando em consideração seus anseios, suas expectativas, suas vivências, suas motivações e potenciais. É preciso, enfim, que o educador seja capaz de ver a si mesmo, ao mundo e aos outros, principalmente as crianças com um olhar diferente - com olhos de criança que foi e que vê em cada coisa pequena um grande aprendizado.

"Quando a criança aprende a olhar para o lado social da vida e cresce com essa visão, com certeza será um adulto melhor."

Conclusão

Entendemos que o brincar é muito importante, essencial para o pleno desenvolvimento da criança, já que é brincando que ela irá se desenvolver nos aspectos cognitivo afetivo, psicológico e psicomotor. Podemos nos questionar sobre o valor do brinquedo e das brincadeiras para a criança, e o que eles tem a ver com a ideia de Educar para a Paz, mas é importante entendermos que o brincar, o respeito e a proteção à infância, são essenciais para a construção de uma cultura de paz.

As brincadeiras desempenham um papel relevante no desenvolvimento dos pequenos, desta forma, o brinquedo não pode ser visto apenas como objeto para distração da criança, mas como atividade que traz consigo inúmeras possibilidades, a fim de que seja um objeto de aprendizagem através de situações representantes da própria realidade, que levam as crianças à imaginar, criar, fantasiar, representar situações do cotidiano a partir de sua visão da própria realidade vivida. O brincar assume uma grande importância quando permite a construção de novos saberes, estimulando, motivando, incentivando a criança a aprender.

Os referenciais que tem nos apontado uma nova direção, que considera o brinquedo ou as brincadeiras na Educação Infantil como um poderoso recurso na aprendizagem, assim, o lúdico na escola favorece diferentes aprendizagens, de maneira atrativa e voltada para as crianças. O brinquedo/brincadeira/faz de conta auxiliam novos processos psicológicos e cognitivos. Não existe brinquedo, jogo ou brincadeira sem objetivo ou propósito. O propósito pode, assim, decidir o jogo e justificar a atividade a ser desenvolvida. A brincadeira altera estruturas mentais, pois cria, representa e reproduz mais do que se vê.

Brinquedos e jogos são necessários ao desenvolvimento e aprendizagem, já que favorecem construções, reflexões, a autonomia e criatividade, o que contribui para a afirmação pessoal do indivíduo na sociedade. E é preciso que a escola se dê conta da importância do ato de brincar, dos brinquedos e brincadeiras, dos jogos, das atividades lúdicas no processo de ensino-aprendizagem.

A criança deve desenvolver-se em todos os aspectos, para que se torne um sujeito pleno. É nesse contexto, que a educação infantil torna-se importante, para que as crianças sejam estimuladas e ajudadas no processo de aprendizagem e tudo o que for aprendido nesta fase da vida, será valioso nas próximas fases da vida escolar e adulta.

A escola deve, portanto, oferecer meios para que estas crianças desenvolvam-se em suas capacidades. Ao professor, cabe o dever de enxergar a criança como pessoa com potenciais a serem desenvolvidos, sendo capaz de ajudá-la em suas dificuldades e facilitar seu desenvolvimento enquanto ser humano.

Referências:

v ALMEIDA, Marcos Teodorico Pinheiro de. O brincar na Educação Infantil. Disponível em: http://www.efartigos.atspace.org/efescolar/artigo39.html. Acesso em: 03/01/2010.

v BORTOLOTTI, Suely. A importância do brincar na educação infantil. Disponível em: http://www.profissionalizando.org/educação-infantil/38-artigos/285-a-importância-do-brincar-na-educação-infantil. Acesso em: 20/12/2009.

v BORTOLOTTI, Suely. A importância da psicomotricidade na educação infantil. Disponível em: http://www.profissionalizando.org/educação-infantil/. Acesso em: 20/12/2009.

v BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1988.

v _______. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei n° 8.069/90, de 13 de julho de 1990. São Paulo, 1991.

v _______. LDBEN. Lei n° 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996. Atualizada.

v _______. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1997.

v _______. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Ministério da Educação. Brasília: MEC, 2000. Disponível em: http://www.portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/educ.inf.volume2.pdf.

v CARRARA, João Alfredo. Psicologia e Desenvolvimento: Uma abordagem sócio-interacionista no contexto escolar. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=549. Acesso em: 21/10/2009.

v _________. O lúdico na educação infantil. Disponível em: http://www.centrorefeducacional.com.br/ludicoeinf.htm. Acesso em: 21/10/2009.

v CHAREF, Mehdi. All The Invisible Children - Crianças Invisíveis. Filme. Itália, 2005.

v KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Desenvolvimento e Aprendizagem – O brinquedo na educação: considerações históricas. Disponível em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/dea_a.php?t=019. Acesso em: 03/01/2010.

v MOÇO, Anderson. Revista Escola. Quanta coisa eles aprendem. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil/0-a-3-anos/criancas-muito-aprender-creche-educacao-infantil-aprendizagem-brincadeiras-linguagem-546791.shtml. Acesso em: 12/05/2010. Edição 231. São José dos Campos, SP. Abril de 2010.

v PINHEIRO, Rosângela de Freitas Hereda. Um olhar do brinquedo numa perspectiva vigotskiana. Disponível em: http://www.abpp.com.br/artigos/73.htm. Acesso em: 21/10/2009.

v SILVA, Sônia das Graças Oliveira. Infância. Disponível em: http://www.profissionalizando.org/educação-infantil/. Acesso em: 20/12/2009.

v TONUCCI, Francesco. Com olhos de criança. Porto Alegre: Artes Médicas – Artmed, 1997.

v VYGOTSKY, L.S. A Formação Social da Mente. O papel do brinquedo no desenvolvimento. 1 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1984.



[1] Aluna do Curso de Licenciatura em Pedagogia a Distância – UFPEL/UAB.

18 de set. de 2011

PAZ NO COTIDIANO

Meg Meurin da Silva

Pesquisa e reflexão sobre como Educação para Paz é tratada
na E.M.E.F Miguel Couto e na sociedade em que vivemos.

O que significa PAZ?

Conforme o dicionário Aurélio, paz é a situação de um povo que não esta em
guerra, cessação de hostilidade, sossego, silêncio e harmonia.
Minha escolha pela temática Educação pela Paz foi em primeiro lugar porque
este é o objetivo de todos os educadores, paz nas escolas e bom
relacionamento com alunos, pais e comunidade. A escola encontra grandes
dificuldades em manter esta tão desejada paz, tanto dentro como fora da sala
de aula. Por estes motivos foi que escolhi Educação pela Paz. Tendo em vista
as dificuldades enfrentadas pela escola e pela comunidade em geral, escolhi
como subtema para Educação para Paz os Valores Humanos e Morais.
Ficamos nos perguntando o tempo todo como conquistar esta tão desejada
paz, para que isto seja possível temos que primeiro doutrinar nossos
sentimentos mais animalizados, como raiva, inveja, ciúmes, medo e egoísmo.
A partir daí é que vamos conhecer sentimentos mais belos, através dos nossos
valores.
Os valores humanos são fundamentos morais e espirituais da consciência
humana, a maioria das aflições da humanidade esta na negação destes valores
como suporte e inspiração para o desenvolvimento integral do potencial
individual e consequentemente social. Os valores formam o caráter que irá se
refletir na vivencia social do indivíduo.
A muito se discute se a escola além de formar cidadões pensantes e críticos
também devem se responsabilizar pela educação moral.
Trabalhar valores tanto na escola quanto em casa desde cedo faz com que a
criança se torne um ser que visa as boas atitudes e os sentimentos de respeito
e amor ao próximo, valorizar o ser humano como ele é, não pelo que ele tem,
formar pessoas de atitude, dignos e justos.
A Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n° 9.394, de 20/12/96),
em seu título II, artigo 2°, afirma que “a educação, dever da família e do
Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade
humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
Portanto vê-se que há uma preocupação com a moral na educação e uma
intenção de integrá-la nas propostas que se apresentam a sociedade.
Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionas:terceiro e quarto ciclos
:apresentação dos temas transversais de 1998, “a escola, como instituição pela
qual espera-se que passem todos os membros da sociedade, coloca-se na
posição de ser um meio social na vida desses indivíduos. Também ela veicula
valores que podem convergir ou conflitar com os que circulam nos outros
meios sociais que os indivíduos frequentam ou que são expostos. Deve,
portanto, assumir explicitamente o compromisso de educar os seus alunos
dentro dos princípios democráticos”.
Ou seja a partir do momento que as pessoas veêm a escola como um lugar
onde se aprende valores, a viver em sociedade e a se socializar com diversas
culturas diferentes respeitando os espaços de cada um, a escola servira para o
que ela realmente quer em sua escência, cidadãos éticos e bem instruídos.
Analisando este tema e vendo a grande onda de conflitos que ocorrem na
maioria das vezes dentro das escolas e de lá se alastram pelas ruas, é que fui
saber como a minha escola parceira, que é localizada em um bairro que não é
considerado violento, trata este assunto, se tem projetos que estimulem a paz,
e como deve ser o procedimento caso haja ocorrência de violência dentro da
escola.
Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Miguel Couto o tema Educação
para Paz é tratado de formas diferentes, o orientador Ademar faz com cada
turma um trabalho separado onde conversa e faz algumas dinâmicas para
manter a turma unida, também conversa em particular com aqueles alunos que
apresentam rebeldia ou problemas de qualquer natureza que estejam
prejudicando o bom desempenho da turma. Com estes alunos considerados
mais rebeldes a primeira providencia é chamar os pais para uma conversa com
a professora e com o orientador, se não resolver o aluno será advertido, e caso
ele ainda esteja muito agressivo é encaminhado para a assistência psicológica.
A escola adotou no ano de 2008 o Projeto 5S da Gerdau, onde motiva os
alunos a deixarem a escola limpa e organizada, diminuindo assim o
vandalismo. O 5S é uma metodologia criada no Japão utilizada para melhorar a
organização dos ambientes de trabalho. O 5S são Senso de Utilização, Senso
de Ordenação; Senso de Limpeza; Senso de Saúde; e Senso de
Autodisciplina.
Todos os ambientes da escola são divididos por categorias e elas recebem
uma tabela onde são anotados os pontos ganhos toda vez que algum
coordenador vem avaliar como anda o Projeto, o ambiente que arrecadar mais
pontos ganha uma gratificação para a melhoria do mesmo.
O Projeto conscientiza os alunos e todos da escola a comunidade escolar a ter
disciplina e organização.
No ano de 2010 a Escola Miguel Couto tenta manter seus projetos: O 5S, que
mantém a escola organizada e limpa, incentiva os alunos a cuidar do espaço
escolar e aplicar o aprendizado em casa; e o Projeto do Meio Ambiente, que
visa criar um espaço de jardinagem onde as crianças aprendam a cultivar as
plantas e cuidar de uma horta, os alimentos ali produzidos serão inseridos na
merenda escolar, o Projeto Meio Ambiente também dá palestras sobre
preservação, clima e catástrofes causadas pelo descuido com a natureza.
Porque do “tenta manter”? Por que a escola não esta recebendo atenção
necessária das partes responsáveis para manter os projetos ativos, O Projeto
5S recebeu sua ultima visita de inspeção em novembro de 2009, e até o
momento, abril de 2010, não recebeu retorno, o que não desmotivou os alunos
e a direção da escola a manterem o projeto a todo vapor, pois o empenho em
manter o ambiente organizado e a escola limpa ainda estão presentes no dia a
dia da escola, com o Projeto do Meio Ambiente a situação não está tão
motivadora, pois até o momento da ultima visita na escola parceira os materiais
para a construção do espaço para a horta ainda não tinham chegado. A direção
da escola informou que entrou várias vezes em contato com a Secretaria de
Educação do município porém esta informou que não conseguiu pedreiro para
a construção do espaço o que esta atrasando o desenvolvimento do projeto,
porém a direção diz que não vai desistir pois acha muito importante este
espaço para o aprendizado das crianças, que com ele as palestras não ficarão
apenas na teoria.
Investir em atitudes que valorizem a participação dos alunos esta fazendo com
que a Escola Miguel Couto não enfrente tantos problemas com indisciplinas,
pois além de tornar cidadãos que valorizem o meio onde vivem, respeitando
uns aos outros a escola também esta criando seres responsáveis, cientes de
suas atitudes e que cobram da sociedade onde vivem esta mesma
responsabilidade.
Iniciativas como da minha escola parceira que chamam o aluno a
responsabilidade, que estimulam a coletividade e criatividade são comuns no
mundo inteiro, pois faz da ida a escola mais prazerosa. Projetos culturais na
favelas do Rio por exemplo tiram crianças e adolescentes da criminalidade,
pois preenchem as horas vagas, que teriam nas ruas ou nas drogas, com
esportes, dança, pintura, musica, artes, etc. Participando destes projetos os
individuos se libertam das angústias, soltando as expressões que estão
trancadas dentro de si através das atividades propostas, assim tornam-se
pessoas mais calmas, mais seguras em relação a sua realidade, mais disposta
a não fazer parte desta violência que cresce todos os dias em nossa
sociedade.
“Ao indivíduo criativo torna-se possível dar forma aos fenômenos,porque ele
parte de uma coerência interior que absorve os múltiplos aspectos da realidade
externa e interna, os contém e os `compreende' coerentemente, e os ordena
em novas realidades significativas para o indivíduo. Como ser coerente, ele
estará mais aberto ao novo porque mais seguro dentro de si . Sua flexibilidade
de questionamento, ou melhor, a ausência de rigidez defensiva ante o mundo,
permite-lhe configurar espontaneamente tudo o que toca.”(p.132;
OSTROWER,Fayga; Criatividade e processo de criação).
As escolas buscam intensamente se aprimorar em alternativas para manter a
paz, palestras, projetos, grupos de incentivo, atividades extracurriculares, etc.,
tentam fazer com que os alunos assim como sociedade veja que esta cada dia
mais difícil se encaixar numa sociedade violenta onde impera o egoísmo, as
drogas e a ganâcia. O que a sociedade realmente quer?O que os pais esperam
dos filhos que vivem nesta sociedade? O que fazem para mudá-la?
Estas respostas estão cada dia mais difíceis de serem respondidas.
E como será que a sociedade enfrenta este problema?
Vivemos em sociedade, e a convivência nos faz enfrentar e procurar responder
a todo o momento a pergunta:”como agir em relação aos outros?” É uma
pergunta muito fácil, porém difícil de ser respondida. Valores como
honestidade, ética, justiça e disciplina estão cada vez mais frágeis na nossa
sociedade onde o que prevalece são os bens materiais, a cor da pele e a
beleza exterior.Trabalhar estes valores na família, na escola e na sociedade
pode ser fundamental para formar pessoas integras que se respeitem
mutuamente e lutem por uma sociedade mais justa.
A violência está cada dia mais presente, em casa quando os pais brigam e não
se importam se os filhos estão presentes ou não, nos telejornais que relatam
todos os dias a realidade de assaltos, assassinatos e corrupção, e nossas
crianças o que pensam disto? que é normal?
Não podemos deixar que isto aconteça, por isso temos o dever de orientá-los,
de ensiná-los o valor das pessoas, respeito, justiça e ética, para que o mundo
deles seje melhor que o nosso.
Para cada grupo social há regras a serem seguidas para manter o equilibrio e a
ordem desta sociedade, a ética e a moral são sentimentos que devem andar de
mão dadas, pois eles é que regem a boa convivência com os demais.
Os vários grupos e sociedades existentes criam suas próprias formas de viver
e elaboram regras que regulam seu comportamento. Isso implica em direitos,
deveres e obrigações. Essas regras é que vão orientar a conduta do indivíduo
em relação ao seu grupo social.
A moral é o que diferencia o homem de bem e do mau, aquilo que se quer
seguir ou afastar.
Essas regras porém são discutíveis, pois podem ser modificadas ou até mesmo
excluídas, dependendo de como vai o desenvolvimento desta sociedade. Por
exemplo na época dos escravos a escrivadão era comum e tida como legítima,
ninguém se importava se um negro estava sendo castigado até perder todas as
suas forças só porque não obedeceu ao seu dono. As mulheres eram tidas
como objetos, que não podiam ter opinião própria, nem direitos iguais aos dos
homens.
Hoje a sociedade mudou, e reviu seus valores, e ainda luta para conseguir
mudar muitas coisas que dependem da evolução dos seres que vivem em
sociedade.
Somos feitos de escolhas, e essas escolhas definem o que somos, temos a
liberdade de fazer o que quisermos, e as consequências refletiram sobre nós,
para isso existem as leis, para que quando decidirmos fazer a coisa errada,
sejamos punidos por isso, e possamos refletir sobre o que realmente
queremos. Essas escolhas devem ser bem orientadas, deste a infância vamos
aprendendo as regras da sociedade, o que é bom e o que é ruim. Cabe a cada
orgão público a obrigação de orientar seus cidadão ao caminho da moral e da
ética.
Portanto devemos estar constantemente em busca da paz, orientando nossos
filhos para o caminho do bem, amando o próximo e respeitando as pessoas, a
natureza e os animais, porque a paz não depende do outro, mas sim de nós
mesmos.
”Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.
Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em
espírito de fraternidade.” (Artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos
Humanos da Organização das Nações Unidas.)

Referências Bibliográficas
http://www.educacaoparapaz.com.br/,
http://www.faac.unesp.br/pesquisa/tolerancia/texto_educacao_borin.htm, http://
www.evirt.com.br/desafio/cap14.htm, Parâmetros Curriculares Nacionais,
Temas Transversais de 1998, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
e Dicionário Aurélio, OSTROWER,Fayga; Criatividade e processo de criação.

A PESQUISA DA ESCOLA E SEU ENTORNO

Relacionando o “ABC do Método” com a Pesquisa da escola e seu entorno

Reflexões sobre os escritos de Brandão no “ABC do Método”, analisando as questões relativas à pesquisa da escola e seu entorno e a relevância desta dentro da proposta de Freire..

O Método e a Importância e Significado de uma Pesquisa dessa Envergadura

O papel da pesquisa no método Paulo Freire, abordado por Brandão, é significativamente importante, não apenas para que se determinem as palavras geradoras, inseridas num contexto real do alfabetizando, mas para tornar possível de acontecer um diálogo bem diferente daquele que encontramos atualmente na sala de aula. O educador deve considerar o conhecimento que o aluno traz consigo, utilizando esse conhecimento como parte importante no processo educativo.

Este diálogo proposto no Método funciona como um decodificador da realidade, onde os “alfabetizandos” são levados a saírem da apatia e do conformismo e refletirem sobre sua real condição de vida, seu papel na comunidade. Este ato em si não deixa de ter em um certo cunho político, estimulando não só um desenvolvimento e transformação individual mas também uma transformação social. Podemos perceber claramente que com esse método as pessoas não apenas se apropriam da leitura e da escrita, mas estão se “alfabetizando politicamente”.

Nos “círculos de cultura” os participantes aprofundam em primeiro lugar a sua leitura do mundo. Já o educador pode “ler”, neste momento, não apenas o “universo vocabular” do alfabetizando, mas a realidade deste. Assim, o educador também emerge num processo de aprendizagem e a diferença entre ambos diminui.

O Método ajuda a percebermos um conceito de educação onde as cartilhas prontas não têm lugar. É uma maneira de ensinar que se constrói de formas diferentes, dependendo do contexto onde é utilizado. Por isso a importância de pesquisar para conhecermos este contexto, tanto social quanto político, e acima de tudo, o contexto existencial do alfabetizando. Isso é importante para que se aproveite os saberes do sujeito e, a partir destes saberes, se delineie uma educação libertadora, livre de preconceitos, livre das amarras da opressão. Uma educação onde cada indivíduo é sujeito da sua própria história e de sua própria educação.


Maria Arzelina Benites Moreira