Educação para a paz, orientando a paz no trânsito.
Nos dias atuais o que se vê são cenas de tragédia, desrespeito e agressões entre os homens. Nossas crianças crescem em meio à violência perdendo assim seus princípios, seus valores, sua tranqüilidade e desta forma torna-se difícil a convivência em grupo.
Sendo a escola um lugar direcionado a formação do cidadão, formação esta que prepara o aluno para o futuro, trabalhando conteúdos pertinentes a construção do conhecimento e tornando o sujeito crítico, faz-se necessário também trabalhar os valores morais como a tolerância, a solidariedade, o autocontrole, o respeito, a amizade, enfim valores que promovam a convivência em sociedade.
“Observe atentamente o caminho que seu coração aponta e escolha esse caminho com todas as forças”. (Provérbio hassídico – Lia Diskin e Laura Gorresio Roizman – 2002)
Paz é estar em harmonia com o próximo e consigo mesmo trilhando o caminho a ser percorrido, é respeitar as opiniões, saber amar, dividir, ser tolerante, ser generoso, é cooperar, enfim paz é estar em sintonia com os sujeitos, praticando a não-violência e cultivando o convívio em sociedade.
“Paz não é apenas a inexistência de divergências e conflitos. As diferenças e, consequentemente, as divergências e conflitos, são parte da diversidade que caracteriza todas as espécies, e são, portanto, intrínsecas ao fenômeno vida. Cada indivíduo é diferente do outro”. (Ubiratan D’Ambrósio – 2002).
Educação para a paz é respeitar o próximo com suas diferenças, é aceitar e colaborar para uma cultura de paz, promovendo o convívio entre os sujeitos.
Segundo as autoras: Lia Diskin e Laura Gorresio Roizman (no livro “Paz como se faz? Semeando Cultura de paz nas escolas”), Manifesto 2000 Rejeitar a Violência encontramos escrito em suas páginas o seguinte trecho:Realmente o convívio em sociedade exige respeito mútuo, aceitar e fazer concessões, por isso trabalhar com as crianças os valores na escola torna-se imprescindível, preparar o aluno para que seja um ser tolerante ajuda-o a tornar-se um adulto que respeite o próximo, e conseqüentemente saiba viver em sociedade, desta forma fazendo com que esse sujeito saiba conviver com os demais em qualquer setor na vida cotidiana, seja na escola, no trabalho, em associações e no trânsito.
Observando a localização e a sinalização ao redor da escola parceira, a correria das crianças nos horários de entrada e saída da escola, visando auxiliar os alunos no conhecimento da sinalização para prepará-los para o futuro fora da pequena cidade de Arroio dos Ratos, lugar onde vivem, optei por trabalhar através de pesquisa e projeto direcionado aos alunos, a “paz no trânsito”, sendo que este item exige a construção de valores na escola.
Na E.M.E.F. Miguel Couto, escola a qual exerço a parceria, em entrevista com os sujeitos que atuam e fazem parte do ambiente escolar sobre a maneira como está sendo trabalhada a temática de paz bem como a paz no trânsito, visando o preparo dos alunos para enfrentarem o convívio em sociedade aponto as seguintes informações reflexivas a partir de dados coletados: A temática de paz é apresentada através de projetos desenvolvidos baseados nos conteúdos transversais (valores: amizade, solidariedade, auto-estima, união...). Explorando as vivências dos alunos e as situações cotidianas na família e na escola. Abordando assuntos atuais, levando os alunos a formar opiniões e atitudes, valorizando a boa convivência em sociedade.
A professora parceira diz: “A cada bimestre procuro conhecer mais o meu aluno e sua realidade, adequando assim os conteúdos, as características da turma e as situações que surgem no dia a dia. É um processo gradativo de mudança de atitudes e valorização do convívio em sociedade”.
O orientador da escola parceira juntamente com uma psicóloga que está no momento integrando o quadro de funcionários da escola desenvolve dinâmicas com as séries iniciais (séries com a qual estabeleci a minha parceria e que importa a minha formação de licenciatura em pedagogia séries inicial) tipo pintura, colagens, palavras cruzadas, etc. há quatro anos, sendo que este trabalho já era realizado por outros profissionais em épocas passadas. Na medida do possível alternando seus atendimentos individuais com as dinâmicas propostas para serem desenvolvidas em grupo na sala de aula, o orientador consegue manter uma freqüência de trabalhos em grupo com os alunos quinzenalmente.
O trabalho de conscientização do tema educação para a paz tem que ser constante, leva tempo para se obter resultados, que são significativos. Este trabalho tem tido um bom retorno e os alunos gostam e realizam as atividades com prazer. Todos os professores e funcionários da escola realizam um trabalho em conjunto. A gestora da escola afirma que não há um planejamento, uma programação no sentido de se trabalhar estas temáticas, no decorrer do ano letivo e por necessidade trabalha-se com os alunos as dinâmicas que visem à convivência em grupo, o respeito, a tolerância, enfim os valores. O que acontece na realidade é uma união automática entre a temática Educação para a Paz com os projetos já existentes e que estão sendo trabalhados na escola, projetos como o 5 S do grupo Gerdau e do meio ambiente (onde a escola está trabalhando o paisagismo juntamente com os alunos num determinado espaço). A escola está aberta a propostas trazidas por outros sujeitos, há pouco tempo contou com uma palestra de Educação no Trânsito, promovida pela UNIVIAS, realizada no Museu do Carvão, onde os alunos obtiveram informações e realizaram trabalhos referentes à Educação no Trânsito.
As estatísticas e os noticiários comprovam diariamente como anda a violência no trânsito, os fatores principais são a intolerância, a imprudência e quando os indivíduos unem álcool e drogas a direção, uma receita que não combina, por isso trabalhar com os alunos esta questão tão importante da violência no trânsito. Precisamos preparar estas crianças para o futuro, mesmo que hoje vivam em uma cidade pacata, onde o índice de violência no trânsito é baixo, faz-se necessário o preparo destes alunos para enfrentarem o trânsito quando necessitarem sair da pequena cidade para trilhar novos horizontes (trabalhar, estudar em cidade grande...).
Dentre os objetivos específicos do presente artigo está o projeto “Paz no trânsito” o qual desenvolvi com os alunos da segunda série, turma vinte e três da escola parceira, onde participaram sete alunos. Este projeto visa à orientação no trânsito, bem como o convívio social. O projeto foi desenvolvido da seguinte maneira:
A princípio coloquei informações visíveis aos alunos anotadas no quadro negro, prossegui com uma explicação sobre os itens em destaque, articulei um diálogo com os alunos indagando sobre o conhecimento que os mesmos tinham sobre a sinalização de trânsito e situações de convívio em grupo. Posteriormente parti para a proposta da elaboração de uma maquete representando uma cidade com suas sinalizações, a qual foi bem vinda pelos alunos.
O livro “Paz como se faz? Semeando cultura de paz nas escolas” pode ser considerado um grande aliado aos profissionais que estejam interessados em promover uma cultura de paz nas escolas a partir de atividades criativas e interessantes envolvendo teatro, dança, música, dentre outros, o livro incentiva os processos de auto-criação dos participantes, desenvolvendo a liderança e proporcionando a socialização, é um manual que inspira o trabalho dos docentes em sala de aula, é uma alternativa para as práticas efetivas contra os males da sociedade.
Conclui-se que a escola parceira no geral trabalha a Educação para a Paz diariamente, seja em sala de aula pelos professores, seja nas dinâmicas realizadas pelo orientador, esta temática não é isolada, trabalha-se automaticamente sempre com os alunos a convivência em sociedade, já que o ser humano não vive sozinho e isolado, necessita respeitar, saber ouvir e acima de tudo ser tolerante. Necessitamos contribuir com a construção do conhecimento e ter um comprometimento em tornar o aluno um sujeito crítico, pensante que tenha capacidade de refletir, compreender e dialogar que saiba dos princípios e valores para conviver em sociedade. Devemos proporcionar aos alunos projetos como o de “paz no trânsito”, havendo desta forma uma contribuição para o preparo dos mesmos para o futuro próximo, que aponta para o crescimento de forma desordenada da população e do trânsito, necessitando desta forma que seja realizada intervenções produtivas, educativas e qualitativas relacionadas à paz para o convívio mútuo.
A partir dos indicativos do uso de técnicas criativas para que sejam trabalhados os valores nas escolas, os profissionais devem usar a imaginação e apoiar-se em manuais como o livro “Paz como se faz? Semeando cultura de paz nas escolas” para promover aos alunos e utilizar-se do espaço comum a todos que é a escola uma prática e cultura de paz. Na escola parceira todo e qualquer projeto desenvolvido a favor da paz pode ser considerado positivo, bem como, para a formação docente do profissional as perspectivas criadas com os estudos realizados envolvendo a prática a partir do trabalho coletivo com propósito de promover a paz são valiosas.
Referências Bibliográficas:
DISKIN, Lia e Laura Gorresio Roizman. Paz, como se faz? Semeando cultura de paz nas escolas. Rio de janeiro, UNESCO, Associação Palas Athena, 2002.
(http://www.sociologia.org.br/tex/educaçaoparaapaz.html)
D’AMBRÓSIO, Ubiratan. Educação para a Paz.
KUTIANSKI, Maria Lúcia A. e Silvio J. Mazalotti de Araújo. Projeto UNIVIAS Educando para Salvar, 4ª série do ensino fundamental, editora Kalimera, 1999.
Sistemas de ensino Aprende Brasil, vol 3, ensino fundamental, 2°ano_ regime de 9 anos, editora Positivo, 2009.
OSTROWER, Fayga. Criatividade e processos de criação. 6ª edição_ Petrópolis, RJ, Editora Vozes, 1987.
Contribuição da aluna Adriana Costa Rodrigues

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